SEYCHELLES
NANANENEN
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Por Edgard Scandurra (Ira!)
Já faz muito tempo que venho sonhando com o surgimento de uma banda que não trouxesse em seus planos a mediocridade apelativa na busca pelo sucesso fácil. Acho que meu sonho se realizou...
Não vejo no Seychelles, de jeito nenhum, as famigeradas mãozinhas para cima, os gritos de "aí, gente!" e outras atitudes que me afastam cada vez mais do que as rádios insistem em chamar de pop-rock. Ao ouvir o álbum nananenen, um público com certa inteligência e inapto às armadilhas populistas (que reúnem rock, axé, pagode e sertanejo no mesmo saco de gatos, feitos sob encomenda aos jabás, shows de rádio e especiais de TV) descobrirá uma intensa fonte de criatividade e personalidade.
Logo na primeira faixa, "Funcionário Padrão", ouvimos um ótimo rock com belos overdrives da guitarra perfeita, mas nunca exibicionista, de Fernando Coelho, a voz de Gustavo Garde com um delicioso sotaque paulistano a lá anos 70 e afinação perfeita, o baixo extremamente atuante, autêntico e corajoso de Renato Cortez e a bateria de Paulo Chapolin, que às vezes simplesmente conduz, mas às vezes também se expressa como um instrumento de frente, como se os tambores cantassem ou solassem.
Todos esses elementos estão integrados a partir de um sutil senso de humor e uma narrativa apurada. Em sua composição "No caminho de Shangri-la", Gustavo cria uma interessante harmonia entre rock e língua portuguesa, tarefa nada fácil. As letras também chamam a atenção – que bom uma banda de jovens nos levar ao dicionário para descobrir o significado de palavras como tégula, diáspora e outras.
Já a canção "Poperô ", pulsante em um belíssimo 4x4, mostra o que a música eletrônica trouxe de volta ao rock: a característica de ser dançante. Aqui, o baixo passeia como um sintetizador subvertendo as intenções. É um dos momentos do disco em que a música realmente "dá barato".
Para finalizar, amarrando todas as outras faixas, o Seychelles traz em nananenen algo de retrô, quase inconsciente, que ajuda a manter acesa a chama metropolitana, urbana e underground do rock.
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Por Luiz Thunderbird (Devotos de N.S. Aparecida)
Toda semana conheço algumas dezenas de novos grupos musicais. Algumas são dignas de nota, outras apenas reproduzem padrões consagrados. Algumas são desprezíveis, chatas, pretensiosas, tediosas. Mas consigo encontrar muita coisa boa. Isso acontece nos festivais dos quais participo. Ou nos clubes de rock da cidade.
Quando chegou nas minhas mãos o EP de estréia e o primeiro álbum da banda Seychelles, tomei um susto. Percebi uma diferença no som, nos arranjos, no nível técnico dos músicos da banda. Desconfiado, esperei uma oportunidade de conferir o desempenho da banda ao vivo. E foi num festival que pude constatar que a banda era mais que uma produção de estúdio. Num formato clássico com vocal+guitarra+baixo+bateria, os caras ganharam meu voto de melhor apresentação do evento. Mas podia ser o momento, o clima, a comparação com outras bandas que havia assistido naquele dia.
Então, veio a segunda mostra da capacidade de reproduzir seu repertório, num clube menor do circuito paulistano de rock. Foi ali que tive a certeza de que Seychelles é uma banda diferenciada. Se destaca por trazer algo novo aos ouvidos, com competência e criatividade. Esse segundo disco vem pra colocar à prova a vitalidade do grupo. A vontade de continuar surpreendendo, comovendo pela textura do som, pela poesia, pela execução de seus músicos. E pela vontade de apresentar algo diferente. Isso já bastaria pra me convencer de que essa é mais uma banda interessante pro meu hall de “escolhidos”. Mas eles vão além da expectativa. Ainda bem. Vida longa ao Seychelles.
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Por Clemente Nascimento (Plebe Rude e Inocentes)
Mais do mesmo. Isso poderia soar pejorativo pra qualquer outra banda, mas no caso do Seychelles é um elogio. Quer dizer que a banda mantém seu caminho de estar à procura de novos caminhos dentro da música, ou seja, eles estão de novo experimentando e buscando e o resultado sempre é diferente. Melodias intrigantes, arranjos bem amarrados e boas letras. É uma história que continua sendo escrita e nunca se sabe o final. É como ir numa montanha-russa em um parque de diversões: você sabe todas as curvas que ela tem, mas sempre toma susto.
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As músicas do Seychelles são um tanto diferentes de canções comuns: elas têm cor. Nananenen é como uma grande nuvem cinza, uma tempestade que se prepara para chover em cima de uma cidade enorme, barulhenta e cheia de pessoas e luzes. Uma cidade chamada São Paulo.
O quarteto paulistano consegue, neste segundo trabalho, criar uma espécie de crônica musical urbana, aliando elementos sonoros eletrônicos (barulhinhos de computador estão por todo o disco) a um conceito estético que brinca com discrepâncias. O nome e o encarte do álbum lidam com o universo infantil, dos contos de fadas, entretanto, as faixas estão repletas de referências adultas e da crueza do rock feito na metrópole.
Por trás dessa coloração de cimento e argamassa, flui um inteligente humor, afiado e crítico, retrato do comportamento de uma geração ansiosa e cosmopolita, que confronta extremos: bem X mal, integridade X degradação, politização X alienação.
Produzido novamente por Fabio Pinczowski (responsável também pela produção de álbuns do Ludov e Mamma Cadela), e gravado entre abril e dezembro de 2007, o disco traz detalhes que o ouvinte mais atento entenderá como uma linha narrativa única, do começo ao fim, onde todas as músicas se entrelaçam.
Entre tantos sucessos fáceis e fórmulas repetidas, topar com o trabalho dos Seychelles é como achar um tesouro escondido em uma rua de curvas sinuosas, enquanto a fina garoa cai.
TODOS OS CDs ESTÃO DISPONÍVEIS PARA DOWNLOAD GRATUITO
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Integrantes:
Renato Cortez
Fernando Coelho
Paulo Chapolin Rocha
Gustavo Garde
Downloads: Mapa do Palco Rider
Telefone:
11 96269310
E-mail:
seychellesss@gmail.com
Origem: São Paulo - sp (Brasil)
Residência: São Paulo - sp (Brasil)
Estilo
Art-Rock