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  • Informações da Banda

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    Nascido em 01 de maio na cidade de Salvador e criado em Ipiaú, Ayam Ubráis Barco fez-se gente e cantautor escutando canções indígenas, pregações espirituais, [email protected] de movimentos populares e expoentes do roquenrol mundial trancafiado no quarto e em naveganças pelas estradas do país..
    Trabalhador da arte, além de cantautor, é artista plástico, trilheiro de filme e escrevedor de poemas de encontro e despedida..
    Começou a tocar e compor sabe-se lá quando não soube o que fazer com uma dor insuportável alojada em seu peito por assuntos de amor e quando seu avô o perguntou se já havia feito o pacto:
    - ¿Que pacto, vô? ¿Aquele lá do diabo?
    - ¡Não, seu bestaiado... ¡Aquele lá do Gongolô!

    E assim fez e assim foi e assim é e assim será..

    Release..
    Sobre Ayam Ubráis Barco..

    O trabalhador da arte, Ayam Ubráis Barco, além de filósofo, é artista plástico, escrevedor de poemas e tem realizado participações como ator e trilheiro de curta metragens. Músico com atuação de destaque no cenário musical do interior da Bahia, em 2013 o cantautor lançou o seu primeiro disco, fruto de composições próprias, intitulado ¡Partir O Mar Em Banda!.

    Nascido na cidade do Salvador, Ubráis foi criado em Ipiaú, interior da Bahia, município onde atualmente difunde além de suas músicas, o trabalho que desenvolve com desenhos feitos com canetas esferográficas, intitulado de Filisminogravura..

    O artista encontra, sobretudo nas artes plásticas, literárias e musicais os meios ideais para apresentar a sua sonoridade, as suas referências, suas idéias e sua arte.. Ubráis possui obras expostas em diversos países como Alemanha, Áustria, Eslováquia, Chile e em diversas partes do Brasil, a exemplo de São Paulo, Salvador, Maringá, Minas Gerais, Itabuna, Ilhéus, Itacaré e Ipiaú..

    Ayam Barco compôs a trilha sonora dos curtas-metragens como “Cine Éden”, “É Proibido Menino Calçado Entrar na Escola”, “O Armário”, ‘’Tereza’’, ‘’Olhos Frios’’, "O Presente", "A Fórmula" dentre outros e conquistou, junto com seu parceiro de trilha, Ismera Rock, o prêmio de Melhor Trilha Sonora no III Festival de Cinema Baiano de 2013, composição feita para o curta-metragem “Luzir de Antanho”.. Nas artes dramatúrgicas, foi ator dos curta-metragens "O Presente" de Dirceu Martins, “O Velho e Os Três Meninos” e “O Filme de Carlinhos”, ambos dirigidos por Henrique Filho..

    Ayam Ubráis se comunica com o mundo através da arte.. Para tanto, lança mão de uma linguagem visceral que dialoga com as mais díspares experiências cotidianas. Esse aspecto se encontra diluído nas suas produções musicais, trilhas sonoras, participações e composições contidas em seu primeiro cd intitulado ¡Partir O Mar Em Banda!

    ¡Partir O Mar Em Banda!


    O álbum ¡Partir O Mar Em Banda! foi produzido e gravado de forma independente e coletiva no SubSolo Estúdio, em Ipiaú (BA).. Com uma estrutura diferenciada, o disco traz 11 faixas com transições ou ‘ligas’ que nos conduzem à maneira própria e impactante da arte feita por Ubráis..
    O disco foi influenciado pela complexidade do álbum “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”, único trabalho musical lançado pela banda Sociedade da Grã-Ordem Kavernista, que contava com a participação do cantor, ator, dançarino, produtor teatral e artista plástico Edy Star, da cantora Miriam Batucada e dos cantautores Raul Seixas e Sérgio Sampaio.. A principal relação entre os dois discos é a estrutura que intercala as músicas a partir das ligas ou vinhetas, bem como as semelhanças de concepção de vida e mundo nas canções..

    O ¡Partir O Mar Em Banda! foi eleito o melhor disco baiano lançado em 2013, em votação realizada pelo site ElCabong (http://www.nemo.com.br/elcabong/2014/01/qual-o-melhor-disco-baiano-de-2013/). Possui participações de artistas como Ch Straatmann (ex-Retrofoguetes), Marcel Hohlenwerger (ex-Ventrílocos), Ismera Rock (Mendigos Blues) e Gabriel Barros (guitarrista da cantora Vércia Gonçalvez), Edmilson dos Santos Sussa e Neto Ferreira (Soda Pop) que contribuíram de forma a fazer desse trabalho ainda mais completo..
    Em 2014, o ¡Partir O Mar Em Banda! é prensado e uma de suas canções convertida em videoclipe.. A escolhida foi, 'O Quintal', que trata de um incêndio ocorrido no quarto de Ayam Ubráis, com ele dentro.. O clipe de 'O Quintal' recebeu o prêmio de Melhor Fotografia no FestClip em Santa Gertrudes (SP) e foi eleito a Melhor Produção no Prêmio Caymmi em abril de 2015 e .. Na sequência veio o clipe de A Bicicleta, gravado com sua afilhada Aiana..
    Junto com o Bando do Mar, gravou o 3° clipe – da canção O Silêncio - e tem feito shows em festivais que acontecem nas redondezas da Bahia, como o Machombongo (Ipiaú) e BigBands (Salvador), Suiça Baiana (Vitória da Conquista)..


    FICHA TÉCNICA: ¡Partir O Mar Em Banda!

    Voz: Ayam Ubráis Barco
    Vozes II: Juliana Peinhopf, Allan Eça, Marcel Hohlenwerger, Raoni Ribeiro
    Guitarras: Marcel Hohlenwerger, Ismera Rock, Gabriel Barros
    Baixo: Edmilson Dos Santos Sussa, CH Straatmann, Eduardo Cézar Dudú
    Bateria: José Oliveira Netão
    Teclado: Junior Eça
    Craviola: Raoni Ribeiro
    Ukulele: Gabriel Barros
    Gaita: Alan Tremedal
    Sopro: Clovis Reis, Samuel Touchê, Genésio Barbosa
    Arte da Capa e ContraCapa: Ana Paula Gomes
    Poema: Kaike Mateus Recitação: Julia Parada
    Gravado, Misturado e Mestrerizado no Subsolo Estúdio: Rodrigo Hohlenwerger
    Ligas: Isaías Neto, Ronald Souza, Ismera Rock, Junior Pinheiro,
    Joallan Rocha, Victor Aziz
    Cifras: Derik Correia


    RESENHAS

    “Numa dessas tardes de inverno, desfrutando de algumas horas livres (e como são raras essas horas) tive a iniciativa de ouvir o mais novo trabalho do Ayam Ubráis. Simplesmente algo fantástico. Concordo que uma grande obra de arte é expressão de um grande momento histórico. Quem viveu os anos 20, percebeu nos trabalhos de George Groz, um espelho mágico, porém fiel dos dilemas daquela época. Assim vejo as composições do Ubráis, expressão marcante de uma época de plena ascensão do movimento de massas em escala internacional. Talvez ele (Ayam) tenha se preparado a vida inteira para esse momento e talvez esse momento seja o único possível de entendê-lo em sua concretude. Tudo anteriormente foi um grande ensaio, o ensaio geral. Tudo no nosso Ayam possui significado, ele é um aparelho de detectar energias dispersas, sejam energias políticas, estéticas ou de natureza obscura (rsrsrs). É justamente esse turbilhão de fenômenos que encontramos no álbum (Partir o Mar em Banda). Nele ouvimos os turcos, crianças, operários, Valérios, Superoutros... Uma verdadeira chave para se viver e entender nosso contexto. Nas canções do Barco, não há conflito entre a massa e a vanguarda, o povo e o programa; o Ubráis concilia isso num panteão artístico onde só um profeta, um médico ou um louco pode conceber. São músicas para 100.000 pessoas. Achei num primeiro momento que a participação ampla de outros músicos poderia desfigurar a identidade musical do autor, mas me lembrei que identidade é uma palavra reacionária, parmenídia. A natureza do Ubráis é heraclitiana (dialética) e toda essa contribuição que ele recebeu , flui para o mesmo sentido da correnteza do rio. O mar é feito de rios... e esses camaradas estão afoitos.”

    Charles Almeida, filósofo e professor


    Blog: Conta Tu
    Título: O Mar, O Homem e O Grito..
    LInk: http://contatu.blogspot.com.br/

    Quando a poesia salta do papel e vira música, é pra Partir o Mar em Banda. Pra separar o joio do trigo. Pra quebrar tudo. Despencar.

    Navalha na carne, sangue no chão.

    Partir o Mar em Banda, o primeiro disco de Ayam Ubráis Barco, é visceral. Como um grito há muito tempo sufocado, que quando irrompe as amarras, reverbera por anos e anos. Aliás, essa é a sina dos grandes discos, serem ouvidos pela eternidade e soarem sempre como se estivessem acabado de nascer.
    São ecos e ecos e ecos.

    Ayam revisita a infância, a militância, a tragédia. Baila com a tristeza e a loucura. Brinca de ser cantor e ator da própria história. E navega. A impressão que se tem, desde o primeiro acorde, é que nessa viagem, o cais de partida é o mesmo de chegada. Partir o mar é partir a si mesmo. Bagunçar tudo e depois juntar. Ser o que o oceano traz à praia e o que ele sepulta.

    Amigo, foi quem correu perigo.

    É um disco de Rock totalmente autoral, recheado de influências diversas, feito em casa e rodeado de amigos. Cada sessão de gravação era uma celebração do talento e da colaboração. Partir o Mar em Banda está impregnado dessa boa energia. As transições que costuram uma na outra canção, são como mãos dadas, punhos cerrados para o alto, abraços apertados.

    Com esse disco Ayam Ubráis manda um recado:

    - Ei, você ai! Sai dessa zona de conforto. Estamos todos no mesmo barco. Haveremos pois de remar juntos, lado a lado. Porque bons ventos nos trouxeram e bons ventos nos levarão. Dale! Dale!

    Kaike Lamoso, jornalista e poeta





    Blog: Operária das Ruínas
    Título: “Qual o sentido anti-horário deste cantarolar?”
    Data: 29/01/2014
    Link: http://operariadasruinas2.blogspot.com.br/2014/01/e-pra-partir-o-mar-em-banda-camarada.html


    “Qual o sentido anti-horário deste cantarolar?”

    Por : Daniela Galdino


    “E já fui os dedos esfolados/ nos acordes do bluseiro enganado”
    (Ayam Ubráis, “A ponte”)

    Nas rodas universitárias, saraus e outras atividades boêmias nunca dediquei muito tempo para escutar o som de Ayam Ubráis. Esperem. Eu explico. O rapaz tem voz de cicuta. E eu, ficava hesitando em tomar um gole, fazer pareia com Sócrates. Covardia danada! Era muito medo de rasgar tudo por dentro. Mas quando eu soube que Ubráis tinha gravado o primeiro disco resolvi fazer do poema escudo e fiquei fortalecida com os versos de Valdelice Pinheiro: “dão-me cicuta todos os dias / e eu a bebo/ e não morro/ porque só morre/ quem não fica”. Um pedacinho de tarde seria o suficiente para fazer a audição de ¡Partir O Mar Em Banda! ... mas o que era fração virou conjunto, virou eco, revirou tudo por dentro... a minha semana e os meus meses ficaram bordados de quintais, bicicletas, voos, pontes, borrifadas de inseticida no juízo e (como não?) incêndios.

    Indicado pelo site El Cabong como um dos melhores discos baianos de 2013, ¡Partir O Mar Em Banda! é um trabalho independente e, antes de tudo, alternativo às produções solúveis e instantâneas que tentam fuzilar a nossa sensibilidade. Tudo foi gestado nas brenhas das terras do sem fim, nas bandas de Ipiaú (a nossa Macondo sulbaiana). Cravar num disco o selo de uma “puta” gravadora, tocar no rádio e gravar chamada para o panóptico televisivo é uma boa, eleva os termômetros da audiência, mas o impulso para (outros) voos rasantes vem do subsolo. Aliás, não por acaso esse é o nome do estúdio onde foi gravado ¡Partir O Mar Em Banda! Dessa empreitada participou a camaradagem do eixo Ilhéus-Itabuna, de Ipiaú, de Salvador. Sem apoio institucional e com a ânsia da “flecha em busca do arco”, Ayam Ubráis e os camaradas fizeram um registro cortante, no qual se encontram os mais díspares sinais da nossa humanidade em demasia. Trata-se de um disco excessivo, de um soco na boca do estômago dos seres desavisados, deslumbrados e embasbacados.

    Ayam Ubráis é um multiartista quixotesco grávido de andanças: mistura suas incursões pela arte da filisminogravura com o ativismo político, com as leituras filosóficas, literárias e outras experiências limítrofes. Talvez seja por isso que ¡Partir O Mar Em Banda! traga incidências tão fartas: SuperOutro[1] bradando o direito de voar (na faixa 09), aqui e acolá aparecem ecos da poesia de Augusto dos Anjos (faixas 04, 06, 09) vozes indígenas (faixa 11), fiapos das lidas e lutas latino-americanas ( faixas 02, 07) e tantas coisas simples... e mais... e muitos indícios do que é considerado artigo de quinta, algo ultrapassado ou incompatível com o avanço dos tempos atuais: a esperança. Em verdade, uma esperança tão reluzente que se faz dolorida.

    Tem também a teimosia de uma bicicleta (na sequestrante faixa 05). Melhor dizer que são bicicletas várias: é o menino Totó, de sorriso farto em Cinema Paradiso, pongando para não se cansar desnecessariamente; são as crianças e o ET contornando a lua; é a tal senhora sisuda pedalando no olho do furacão que nos leva até o reino de Oz; ou A bicicleta que tinha bigodes[2], aquela que embala/transporta os sonhos das crianças angolanas. No mundo criado por Ayam o “monta a bicicleta e vai pedalar” substitui o “vai e não peques mais”, afinal, o coração que pedala vai cheio de defeitos, e o maior defeito é a desobediência. Pedalar é transcender, feito partir o mar em banda. E está lá, na capa do disco (arte de Ana Paula Gomes): uns moleques de percatas, investidos de poderes musicais, lascando em banda o infinito que o mar representa (desculpa, Moisés!). A segurança dessa viagem sem bússola fica por conta de um barquinho de papel (feito pipa). Quem se aventura a acompanhar esse grupo tão desprovido e, ao mesmo tempo, tão entupido de quimeras? Assim acontece quando escutamos o disco: cada um que o faça por sua conta e risco, pois não se sabe aonde essa viagem vai dar.

    O deslocamento começa com “o silêncio” que precede “a ponte”, “o risco”, “o inseticida”, “a bicicleta”, “o quintal”, “o maquiador”, “o bote”, “o voo”, “o barco”. E vem a derradeira canção, “o rastilho”, que pode ser rasto ou carga explosiva. Fim é que não vai ser, parece ser promessa, pois já de cara se escuta: “Não vamos cheirar/ o rastilho de pólvora acesa/ quando a maré incendiar/ o amor há de estar/ na dianteira a guiar”. Surgem meninos despertos catando balas na venda, gudes na mercearia, badogues na feira. A danação da esperança ameaçando tempos de inércia... esse disco não fuzila a nossa sensibilidade!

    ¡Partir O Mar Em Banda! é coisa de beira de estrada, talvez seja coisa de encruzilhada. Coisa íntima, tipo abafamento de quarto em chama, com agonia sem testemunha ocular. Coisa de coletividade, com fogueira convergindo olhares e energias para o centro da roda. Algumas canções doem que são uma beleza (escutem “o quintal”)! Ao mesmo tempo o disco exala tantas esperanças verde-infantis, amarelo-maduras, que bate uma vontade de desbravamentos. Trinados, palavras de ordem entoadas por crianças, saberes ancestrais ficam ecoando a cada audição. A criatura, depois de escutar a derradeira faixa, permanece com algumas marteladas no juízo, tipo: “o amor ainda vale o risco de se ir buscá-lo” (“O risco”), “qual o sentido anti-horário deste cantarolar?” (“O maquiador”), “apanha uma carona numa gota de sangue escolhida” (“O bote”), “joga fora os remédios/ o remédio é voar” (“O voo”).

    Mas, de vera, o que lateja com gosto de gás é isso aqui: “o seu coração não será bem vindo em cemitério algum” (“O voo”). Bate fundo e, nessa hora, o poeta Augusto dos Anjos responde: “o corvo que comer tuas fibras/ há de achar nelas um sabor amargo”. Tá aí a sina do poeta, o martírio do artista - arrecebam na caixa dos “peito”. E “salve-se quem quiser, perca-se quem puder”, no melhor estilo Leminski incendiário e agonizante. Quem sabe ¡Partir O Mar Em Banda! seja um afago rude, um abraço espinhado. Agora mesmo, ao escrever isso, lembrei de uma conversa que tive com Ayam, na qual o assunto da vez era a minha tendência à desmemória, ao que ele me disse: “e como você não lembra de nosso abraço, nem da quantidade de Hitler que você matou na Alemanha...”; no clique seguinte enviou o link para que eu escutasse o seu disco. Assim o fiz, e uma plantação de silêncios atravessou o parco terreno da minha tarde. Porra! Isso não pode ficar apenas em mim, tenho que fazer combustão, tenho que consubstanciar... e cá estou, te chamando para a roda. Toma um lugar, traz o teu fone de ouvido e... escuta o disco ¡Partir O Mar Em Banda!: https://soundcloud.com/ayam-ubrais-barco/partir-o-mar-em-banda (só vai te custar a vida bem ajeitada!).

    Blog: Galeria Musical
    Título: Partir O Mar Em Banda
    Por: Anderson Nascimento
    Link: http://galeriamusical.com.br/index.php

    Nascido em Salvador e criada em Ipiaú, Ayam Ubráis Barco além de cantautor, como prefere se denominar, é filósofo, artista plástico, ator e escritor de poemas, ou seja, o artista é bem relacionado com as artes.

    Falando em arte, costumo dizer que uma obra de arte pode ser reconhecida por vários aspectos, mas não por apenas um desses aspectos de maneira isolada. “Partir o Mar em Banda”, primeiro álbum do artista, é assim, espalha genialidade aos poucos, em cada pedaço dele, seja na belíssima arte do invólucro, seja nas composições, ou no arquétipo em que se sustenta o seu trabalho.

    Por mais que a voz do cantor possa assustar por ser grave e rascante, esse trabalho representa o que há de mais original dentro das nuances do universo do cantor.

    Essas nuances sopram brisas conceituais ao longo de todo o álbum, que abre com o peso progressivo de “O Silêncio”, e se sequencia com a hipnotizante “A Ponte”, com vozes apoiando “laialaiás” setentistas que roçam tropicalismo embandeirado por conterrâneos baianos há tempos atrás.

    Em diversos momentos o disco passeia pelo som progressivo. Apoiado por uma banda azeitada formada por diversos músicos competentes - entre eles o Ismera Rock da banda Mendigo Blues, na guitarra -, em vários momentos o álbum transmite essa ideia progressiva, como por exemplo, em “O Rastilho”, faixa que encerra o disco.

    É difícil destacar canções no álbum tal o valor e a unicidade das mesmas. Mas vale ressaltar alguns momentos-chaves, caso da destemida “O Risco”, que é uma daquelas canções que nos fazem cerrar os punhos e fazer cara de mau, embora encerre de maneira tenra e delicada.

    As composições são destaques absolutos desse disco. Ao mesmo tempo em que “Bicicleta” traz uma mensagem positiva delicada nas entrelinhas de uma grande sacada do autor, temos refrãos fortes, porém também positivistas, como no épico “O Voo” (Edgard Navarro), de letra e coro inesquecível: “O teu coração não será bem-vindo em cemitério algum, então aprende a voar! Joga fora os remédios! O remédio é voar!”, enquanto vozes gritam incitativamente “Se joga, despenca!”.

    Entre outros arroubos, temos a recitação do poema “A Banda do Mar” de Kaike Mateus, na canção “O Quintal”, além de interlúdios como gritos de guerra, cânticos de torcida, latidos de cães, barulhos de bicicleta, mar, ondas, pássaros, discursos, tudo isso bem posicionado e ligando as canções de forma hermética.

    Ao final da audição têm-se a agradável sensação de ter feito muito bom uso de 45 preciosos minutos de nossas vidas. Vejo “Partir o Mar em Banda” como uma obra de arte, que deve ser observada sob vários ângulos e entendidas sob vários aspectos, mas todos eles certamente apontarão esse disco como um grande trabalho.

    Resenha publicada em 12/05/2014

    Título: De incêndio e amores
    Autor: Rodrigo Melo

    Um caminho que cruza o mar (inúmeras vezes, vi a nuca, descoberta, de uma mulher): por ele, a banda passa com os instrumentos e, logo atrás, um garoto com o seu barco de papel que teima em voar. Em uma das bordas do barco, os dizeres "PARTIR O MAR EM BANDA!" . É essa a capa do disco. Um longo tempo se passou desde quando ouvi falar dele pela primeira vez até o dia em que o escutei. Meses de distanciada e infrutífera ignorância. A espera valeu.
    Foi Allan Eça, um velho amigo, quem me deu a dica:
    - Cara, você precisa escutar Ayam Ubráis Barco!
    Allan, durante anos, me passara valiosas dicas, e aquele era mesmo um nome curioso. Soava como se fosse antigo, distante ou qualquer coisa assim. Mas, caros amigos e amigas, vivemos num mundo de misteriosas maravilhas e constantes descobrimentos, o certo é que as curiosidades vêm e vão. E, por algum motivo besta, não anotei a dica, os dias se passaram e eu me esqueci.
    (Acho que foi Marcos Rey, em Memórias de Um Gigolô, quem disse que a gente, mesmo sem calcular, deixa tudo para o fim).
    De todo modo, lá estava eu, meses depois, de frente para o computador. Conferia as selfies e as resenhas, quando alguém colocou um link com músicas para escutar. Coincidentemente, eram as músicas de Ayam Ubráis Barco. Demorei alguns segundos até recordar de onde e quando escutara aquele nome, em seguida, sem entender bem o porquê, fiquei a pensar nas pirâmides, em Moisés abrindo o mar, em Maomé, a montanha e em toda aquela história de que a gente não consegue escapar do que tem que conhecer. Parecia clichê, nonsense, mesmo assim eu cliquei no link e o som começou.
    Então algo curioso aconteceu: as músicas que saíram das pequenas caixas pareceram estranhamente familiares, como se já as tivesse escutado antes, dezenas de vezes, e por detrás de toda a agradabilidade havia ainda alguma outra coisa que eu não identificara totalmente, algo fora do padrão, que ia além dos refrões feitos para saciar a turma pueril, que ultrapassava o ardiloso imediatismo do sucesso: a vontade de pegar o mundo inteiro num ouvido só. As músicas, que emendavam-se umas às outras, eram todas feitas do mesmo material, suor e sangue, coragem e poesia. Progressivo, folk, mundo e Bahia, também um tanto de sertão - não uma colcha de retalhos desfigurada, com pinceladas para destilar influências, mas um som próprio, coeso, cheio de força e sentido, de incêndios e de amores também, tudo isso misturado a um existencialismo que recendia tanto ao universo inteiro quanto ao fundo de um quintal em Ipiaú, uma farpela de Euclides Neto, outra de Fante e Chinaski pra temperar. Escutei algumas faixas repetidas vezes, mas o disco era todo bom, e me recordo de ficar ali parado, com o volume nas alturas, a calcular que aquele tipo de coisa era o que fazia a gente andar pra frente. Ayam Ubráis Barco, devidamente qualificado, tinha vocação para herói.
    Num final de tarde mormacento, o conheci pessoalmente, nós que nos encontramos e seguimos, resilientes, na fila para comprar acarajé. Ayam é, à primeira vista, um sujeito comum. Essa impressão, todavia, vai embora tão logo a conversa se estende. É aí que você vê a fé que ele tem na sua arte, encarando-a com simplicidade, ao mesmo tempo com uma espécie de certeza, e você pensa que seria mesmo bom que ele continuasse com aquilo, já que não tem tanta gente fazendo coisas assim, desse jeito. Por fim, ganhei o meu cd, autografado, e a garantia de que há um próximo em feitura.
    A verdade é que dá pra falar mais uma porção de coisas sobre PARTIR O MAR EM BANDA aqui. Dá pra encher a página com elogios sinceros, salientar que é um disco bastante original, mesmo com as suas influências, e dizer que já ganhou e ainda ganhará um bocado de prêmios por esse mundão afora. É sempre bom, afinal, valorizar quem manda bem. Mas talvez não seja preciso falar tanto. Talvez seja melhor que cada um, ao escutar, tire as suas próprias conclusões. Pode ser num dia de sol. Ou numa tarde em que esteja chovendo para carilho. Pode ser na madruga também. Vá tranquilo, de boa. Aperte o plei e deixa ver o que é que acontece quando o disco começar a tocar.

    Rodrigo Melo é escritor

    Integrantes:
    Ayam Ubráis Barco.. Guitarra e Voz
    Edmilson dos Santos Sussa.. Baixo e Voz
    Ismera Rock.. Guitarra e Voz
    Mateus Albuquerque.. Bateria

    Downloads: Mapa do Palco Rider

    Telefone: [71] 99178 0965
    E-mail: [email protected]

    Origem: Ipiaú - ba (Brasil)

    Residência: Ipiaú - ba (Brasil)

    Estilo
    Rock

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