Blog

HAZAMAT: Um caso de música e amizade

Conheça a banda Hazamat: http://www.hazamat.tnb.art.br/

São personagens, situações do cotidiano e sobretudo, a vida. Essas são inspirações fatídicas do segundo álbum de uma banda que emana espontaneidade. Tudo isso se dá pelo fato de que além de arranjos ricos e bem trabalhados, o Hazamat conta com o acúmulo da relação orgânica entre os componentes.

Conheça a fórmula secreta de uma banda que da capital paraibana, usa o companheirismo, bons riffs e as ferramentas online pra construir expoentemente a sua carreira:

1) Este é o segundo disco de vocês e de certa forma existe uma maior incorporação de influências brasileiras, como vocês colocam no release do novo trabalho. Como foi o processo de criação deste disco? Quais as principais diferenças que vocês identificam do primeiro para o segundo disco?

O processo de criação desse segundo disco está fortemente associado a dois períodos curtos que nos permitimos passar isolados em um sítio no interior da Paraíba, próximo ao município de Picuí. Talvez a maior diferença entre os dois discos seja o fato de que, no primeiro, nós gravamos músicas que foram compostas (algumas inclusive tocadas ao vivo) ainda enquanto Molestrike, nosso projeto anterior. No caso do “II”, todas as músicas foram pensadas de modo a compor uma estética que focasse na identidade que concebemos para o Hazamat: composições mais curtas e diretas, mas que não deixam de explorar a mescla de gêneros e a busca de sonoridades que já esboçamos desde os primórdios do Hazamat. Sobre a incorporação de influências brasileiras, talvez a presença de elementos como o violão de nylon e as percussões sejam os maiores responsáveis por torná-las mais evidentes nesse novo trabalho.

2) O disco conta com a participação de 3 artistas paraibanos, entre eles Arthur Pessoa, da banda Cabruêra. Como rolou esta aproximação e a participação desses artistas?

Nós convivemos há alguns anos com a cena local do Nordeste e em especial, da Paraíba. Gostamos de conhecer o trabalho dos outros artistas da terra, acompanhar e incentivar. Inevitavelmente, temos a oportunidade de estar dividindo palcos e projetos com estes artistas paraibanos. Com o Arthur não é diferente. Desde o nosso primeiro disco, contamos com Edy Gonzaga, baixista da Cabruêra, como produtor. Arthur é vocalista da Cabruêra, daí você já começa a conectar os pontos. Já tocamos no mesmo evento, como no Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande (PB). Nos encontramos no Encontro Fora do Eixo, em São Paulo, em 2011. Além disso, Arthur já nos recebeu em um programa de rádio que coordena em João Pessoa para divulgar o nosso trabalho, apresentar canções. Os outros artistas convidados, Diego ‘Second’ Moura e Edson Araújo, também são músicos de bandas com as quais estamos sempre dividindo palcos (Malaquias em Perigo e Licenciosa). Ambos já nos auxiliaram inclusive como roadies, assistentes de captação de vídeo, etc. Essas trocas são comuns na nossa cena. Às vezes, quando compomos, temos ideias e lembramos de pessoas que seriam interessantes para ajudar a realizar essa ideia. Ficamos felizes que eles tenham aceito o convite e enriquecido o nosso projeto.

3) Essa participação já evidencia a influência da música paraibana no trabalho de vocês? Qual o peso dessas referências paraibanas no trabalho da Hazamat?

É difícil fugir a uma influência local. No caso da Hazamat, é uma escolha consciente usufruir de maneira natural desta vivência e explorá-la eventualmente no trabalho de composição. Muitas vezes se fala em influências no que tange a temáticas das letras, harmonias e ritmos, etc. Algumas de nossas canções recebem estes elementos regionais, mas a nossa própria postura enquanto banda, projetando e valorizando o cenário e a produção locais, a nossa pegada sonora, o sotaque paraibano, tudo contribui para evidenciar a nossa origem, que assumimos com muita tranquilidade e amor, sem a necessidade de fazer disso o mote central do nosso trabalho.

4) Já que estamos falando da música paraibana. Como vocês encaram a cena do estado atualmente? Que outros artistas do estado vocês destacariam?

Há altos e baixos. Nos parece que estamos em um momento de baixa, mas de renovação do que promete amadurecer para uma nova crista da onda em um ou dois anos. Em termos de estrutura pública de fomento, na Paraíba existem o Fundo Municipal de Cultura (FMC), da Funjope (Fundação Cultural da Prefeitura de João Pessoa) e o Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), da Secretaria de Cultura do Estado. Nós inclusive já fomos beneficiados por estes editais, mas houve uma redução nos eventos públicos que forneciam estrutura e cachê para bandas. Chico César fez um belo trabalho na Secretaria, mas já vivemos outro momento. Em termos de artistas, nomes como Seu Pereira e Coletivo 401, Augustine Azul e Licenciosa chamam a atenção. Bandas mais antigas como Gauche, Zefirina Bomba e Cabruêra seguem na ativa e também precisam ser conhecidas e reconhecidas.

5) Já que falamos da cena artística local, é bacana falarmos também sobre o mercado da música. Como a banda encara sua carreira e o mercado independente? Todo mundo se dedica só a banda? Vocês desenvolvem outros trabalhos paralelos?

Encaramos nossa carreira como um processo evolutivo com estágios e objetivos em direção a uma profissionalização na qual a música seja capaz de prover nossa sustentabilidade. Tentamos repartir as responsabilidades relativas à autogestão da carreira de banda de maneira igualitária. Entretanto, os 4 integrantes também desenvolvem trabalhos paralelos, então tentamos balancear de acordo com a disponibilidade de cada um de maneira justa. Isso inclusive é um fator determinante pra nós. Enquanto as profissões paralelas nos permitem uma certa autonomia para investir no nosso trabalho enquanto músicos, esperamos atravessar em breve um ponto nessa jornada em que o retorno financeiro da banda – seja através de shows e cachês, arrecadação em plataformas pagas da web, venda de merchandising, etc – possam cada vez mais substituir essa sustentabilidade que hoje depende dos trabalhos paralelos.

6) Como vocês projetam o trabalho a partir desse lançamento? Acreditam que é possível viver apenas com a banda ou a música?

Completamente. Pode não ser fácil, mas também não é impossível. Acreditamos em atingir uma sustentabilidade que se traduza na possibilidade de ter para cada um o suficiente para viver de maneira digna e honesta, assim como o faz qualquer cidadão com outra profissão, assim como o fazemos hoje em nossos projetos paralelos.

7) Falem um pouco agora do lançamento. Recentemente vocês lançaram um single da música Voz que vem, e um mini documentário do processo de gravação do disco, e agora trazem o disco completo. Vem mais novidade por ai? Como está o planejamento para este lançamento?

Bem, acreditamos que é importante a produção de conteúdo nas redes sociais, mas que precisa ser um conteúdo significativo. Para isso, organizamos uma série de peças de divulgação para conseguir uma boa projeção para o disco. Estamos muito contentes com o resultado final do disco e acreditamos que o som vai agradar muita gente. Mas para isso, o som precisa chegar às pessoas primeiro. Além dos itens citados por vocês, em breve o primeiro e segundo discos devem estar disponíveis em diversas plataformas pagas de áudio, através de uma parceria com o DoSol. Temos o site oficial renovado, o disco já está disponível gratuitamente lá, no Soundcloud e inclusive no TNB. Estamos também prestes a lançar um videoclipe para a música “Estorvo”, que gravamos com Derick Borba em agosto. Mais adiante, teremos o disco prensado em mãos e outras peças de merchandising com a identidade visual do disco novo. Queremos ter uma espécie de loja virtual no site e estaremos levando como sempre o material pra montar a banquinha nos shows. Daí, virão shows de lançamento e a ideia é circular fortemente com esse disco em 2016 que já começa com o Grito Rock, depois é engatar alguns mini trechos em regiões específicas e tentar emplacar alguns festivais independentes no final do ano.

8) Gostaria que vocês comentassem um  pouco sobre o universo de lançamentos virtuais. Boa parte das ações de lançamento deste disco são em plataformas digitais. Isso é uma escolha ou falta de opção? Por que vocês escolheram a plataforma do TNB para lançar o disco?

O mundo hoje é também digital e nós buscamos estar alinhados com o movimento coletivo. Hoje, temos a configuração de novos modelos de negócio na música e acreditamos que existem várias ferramentas e mecanismos que podem potencializar a divulgação de um artista. As plataformas digitais são um dos meios que propiciam um alcance geográfico maior da informação através de um investimento menor, portanto, não podem ser descartadas para quem leva a sério o seu trabalho. Acreditamos que no mínimo uma referência como um site oficial seja importante e necessário, inclusive para legitimar o trabalho. O TNB é uma plataforma que utilizamos desde o início da banda praticamente, pela nossa proximidade com o Circuito Fora do Eixo. Entendemos a importância que tem, especialmente com relação à redução das distâncias entre produtor e artista, proporcionando a conexão de rotas de circulação que são essenciais pra música independente.

9) Pra fechar deixe um recado para os fãs da banda e os próximos shows, e claro, quem quiser levar o Hazamat para sua cidade o que deve fazer?

Ouçam o disco com carinho, alto e sem moderação! Vão descobrir uma banda leve e apaixonada, que tem o desejo consciente e esclarecido de não apenas se expressar subjetivamente ou de se posicionar politicamente, mas também de provocar e ser parte da reinvenção do rock nacional. Se você curtir, compartilhe pros amigos que também podem curtir o som e já estará dando uma ENORME contribuição para o nosso trabalho! Para entrar em contato conosco, o meio mais fácil é através do nosso e-mail [email protected]. Nas redes sociais, recomendamos curtir a nossa página e enviar uma mensagem em http://facebook.com/bandahazamat. Nos vemos nos palcos da vida!


Comentários

2 comentários | Comente »

  • Responder

    Por Rubs em 1 de outubro de 2015 às 18:54

    Ótima banda, orgulho dessa banda ser da minha terra

  • Responder

    Por Rafael Mendes em 2 de outubro de 2015 às 7:46

    Entrevista bacana demais, estou apenas agora esperando para ir para o primeiro show, ansioso para ver como será a energia no dia!


Comente