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Direto de Natal (RN), Dosol

Via Canal Brasil

Nasceu como gravadora e virou uma multi produtora referência para o Nordeste.

Quando a Dosol Records surgiu no começo dos anos 2000 em Natal, o nome trazia a relação perfeita com a capital potiguar, banhada pelo Sol. Seu fundador e faz-tudo até hoje, Anderson Foca, tocava em outras bandas quando resolveu arregaçar as mangas e criar um selo, a Dosol.

De selo, a Dosol virou espaço de shows, estúdio, produtora audiovisual e de eventos, festival de música e net label. Um dos eventos mais importantes da cena musical alternativa do Nordeste é produzido por eles, o Festival Dosol.

Além de administrar tudo isso, Foca também toca na Camarones Orquestra Guitarrística, que acaba de voltar de uma extensa turnê européia. O Outro Lado do Disco conversou com ele para entender como e porquê uma gravadora se desdobrou em uma das produtoras mais importantes do Nordeste.

:: Leia a entrevista completa ::

Outro Lado - o que veio primeiro: a produtora, a gravadora, o festival? Como surgiu a Dosol? Em que ano foi?
Anderson Foca – A primeira coisa que veio com o nome de Dosol foi o Selo, isso foi em 2001. Basicamente fundamos o selo para lançar nossa banda da época que não tinha espaço em outros selos, foi uma atitude inocente e impensada naquele período.

OL - qual a necessidade, ou a ideia, ou o sonho que impulsionou a criação da Dosol Records?
Foca - A gente tinha uma grande inquietação para fazer a música do RN se mover, já fazíamos shows, tínhamos alguma experiência e um selo parecia ser o complemento ideal para que as coisas andassem mais rápido. Sem contar que sempre fomos viventes da música e naturalmente ter um selo fazia parte dessa vivência.

OL – quais foram os primeiros lançamentos? Em qual formato: CD, CDR?
Foca - Lançamos O Officina, Peixe Coco e General Junkie quase ao mesmo tempo. Alguns discos em CD e outros em CD-R. Depois vieram gente como o SeuZé, Allface, Experiência Ápyus, toda uma geração de artistas e bandas desse início pro meio dos anos 2.000.

OL - quais artistas vocês tiveram e ainda tem no cast?
Foca - Foram mais de 80 lançamentos até hoje e é difícil lembrar todos. Hoje trabalhamos com o netlabel e digital, só esse ano (2015) já lançamos Talma&Gadelha, Fukai, Maíra Salles, Kataphero, Camarones Orquestra Guitarrística, Sueldo Soaress e Vini D`Ávilla.

OL - qual a relação ou as vantagens e desvantagens dos artistas da gravadora com as outras ações da Dosol (festival, eventos, audiovisual, etc)
Foca - Como a nossa ação é muito mais ampla que o Selo em si, naturalmente os artistas que lançamos são utilizados e divulgados nas nossas plataformas como Festival Dosol, Circuito Cultural Ribeira, Natal Instrumental e outros. Complementam bem o plano de divulgação dos artistas dentro e fora da cidade.

OL – como funciona o espaço no centro de Natal?
Foca – Temos um espaço para shows no centro da cidade, o Centro Cultural Dosol, onde também organizamos eventos de venda e banquinha de discos, mas nunca tivemos loja específica para isso.

OL – quando você começou a agitar a Dosol, o movimento dos festivais estava super ativo. Qual o papel de uma gravadora neste (naquele) cenário?
Foca – Gravadoras são filtros, hoje quando quero ouvir uma banda nova legal vou lá na Burger, Epitaph ou SubPop para ver o que eles estão lançando. Os festivais terminam também fazendo esse tipo de pesquisa, porque a demanda de artistas tem sido cada vez maior e ajuda nesse filtro.

OL – o projeto Dosol para os artistas é um atendimento 360? Como isso funciona na prática para novos artistas, poucos conhecidos e que geram pouco interesse de público e crítica?
Foca - A gente ajuda como pode e também ajuda quem quer ser ajudado. Se o artista bota a pilha a gente vai junto, se fica parado, partimos para outra. O Dosol é movido a essa energia e dinâmica. Fizemos uns trabalhos muito bons com as Incubadoras que desenvolvemos, trabalhos do zero com bandas muito relevantes na nossa cena rock atual como Talma&Gadelha, Monster Coyote e Red Boots.

OL - existe uma linha artística a ser seguida, um estilo preferido para os artistas que a DoSol trabalha?
Foca - Não, não temos estilo definido. Nossa última leva de lançamentos tem pop rock, mpb death metal.

OL – de uns tempos pra cá vocês adicionaram o sufixo net label. O que é um net label?
Foca - Talvez a gente tenha sido um dos primeiros selos a rumar nosso catálogo todo para web e passar a lançar tudo só online. NetLabel no nosso entendimento da época (acho que 2003) era um selo que fazia lançamentos digitais (isso foi antes da era itunes/streaming). A gente não ficou apegado ao formato do cd (que eu nunca gostei muito), mas fazer coisas com o áudio, divulgar e tentar ganhar com isso de outras maneiras foi um desafio legal e que gostamos de fazer.

OL - a Dosol se envolve em todas as etapas de lançamento: pesquisa, contratação, gravação, fabricação/prensagem ou distribuição digital, assessoria, promoção?
Foca - Sim, nos envolvemos em tudo, temos estúdio próprio incluso, equipe de design e assessoria de imprensa para dar esse up quando os discos saem.

OL – O que acham deste cenário que vem se configurando nos últimos anos, das plataformas de streaming?
Foca - Eu amo plataforma digital. Nos adiantamos a ela no começo do nosso trabalho. Acho democrático e dá mais acesso a quem quer nos ouvir (que é a atividade fim do que pensamos como selo, as pessoas ouvirem o que lançamos).

OL - a Camarones e o festival DoSol viraram os carros chefes da produtora?
Foca - Camarones e Dosol são dois cases legais que temos aqui. Mas temos outras coisas importantes igual, o estúdio, nossa produtora de vídeos, o centro cultural dosol, o circuito cultural ribeira a virada cultural de natal. Temos muitas coisas ativas e bem bacanas rolando. Temos tido nos ultimos três ou quatro anos bastante trabalho com o Dosol (ainda bem).

OL – pela Camarones, vocês fecharam parcerias em outros países? Percebe alguma diferença entre o jeito de operar das independentes na Europa em relação às brasileiras?
Foca - Fechamos sim, mas elas ainda não começaram de fato. Como selo vamos ver o resultado mais pro fim do ano. Mas já de cara, eles fazem o que a gente faz aqui, promovem tours de artistas, ajudam o disco a sair nos blogs e zines, é bem parecido com o Brasil, mas a Europa tem mais consumo que aqui. Baiscamente isso.

Conheça a Dosol – http://www.dosol.com.br
Conheça as bandas do catálogo Dosol – http://dosol.com.br/c/dosol-netlabel/


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