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Morrostock chega a sétima edição com atração de peso – Confira entrevista com Paulo Zé idealizador do Festival.

TNB – O Festival Morrostock chega a sétima edição, o que o público pode esperar pra esse ano?

Paulo Zé – A cada ano vamos evoluindo pouco a pouco, ainda estamos entendendo como melhorar a produção do festival no Sitio da Picada Verão para deixa-lo ainda mais atrativo e aconchegante para as pessoas, para este ano estamos ampliando a área de convivência dentro do galpão onde fica a praça de alimentação e melhorando as nossas estruturas de Bio Construções. Estamos também fazendo algumas parcerias que farão com que os resíduos produzidos pelo festival sejam reduzidos e manejados de forma correta junto a cooperativa de catadores da cidade de Sapiranga. Também estamos buscando alternativas para a mobilidade rural que é coordenar a chegada e saída do público sem que haja desconforto tanto para os moradores da região quanto para os que transitam pelas picadas, visando essa melhoria vamos limitar algumas áreas de estacionamento e abrir um estacionamento maior em uma fazenda que fica a 400m do local do Morrostock, isso deve melhorar o fluxo de carros e ônibus no local e facilitar o acesso ao evento, outra medida importante é sobre o transporte que leva as pessoas da rodoviária até o Morro, estamos buscando oficializar esse serviço junto a prefeitura para que não tenhamos problemas em contratar uma empresa de terceiros para levar e trazer as pessoas da rodoviária de Sapiranga até o Sítio picada Verão mediante a pagamento de passagem como em um ônibus comum. Estamos melhorando a comunicação com a cidade fazendo com que todos saibam receber bem as pessoas que chegam de lugares distantes para curtir o Morrostock.

TNB – O Festival esse ano traz mais de 50 atrações musicais e entre elas já confirmadas grandes atrações como Ratos de Porão, Krisium, Confronto e o Arnaldo Batista, como é a seleção dos artistas e o que representa ter esses grandes nomes da música para essa edição do festival?

Paulo Zé – A escolha dos artistas se dá basicamente de duas formas uma é através de indicação e convite e a outra é através da abertura de uma oportunidade no site Toque no Brasil para que as bandas autorais possam se inscrever. (Este ano tivemos 310 bandas inscritas de onde tiraríamos 15, acabamos por escolher 25 bandas devido a qualidade dos grupos). O Morrostock se divide entre as noites pesadas e as noites de rock assim como outros festivais de música espalhados pelo Brasil, mas com o diferencial do acampamento. Desde sua primeira edição a atenção com os dias de pesados foi muito grande, este ano não vai ser diferente, conseguimos reunir Ratos de Porão e Krisiun que recentemente estavam juntos na Europa e de quebra ainda temos Confronto e Gritando HC, que nunca vieram pra o Rio Grande do Sul antes, além de muitas bandas da cena local que tem uma qualidade e um público incrível. Pensamos assim que estamos incentivando e fomentando ritmos extremos marginalizados pela mídia comercial mas que fora do Brasil são tão ou mais conhecidos e respeitados que o samba!

Por outro lado o festival conseguiu ao longo dos anos apostar em algumas bandas de rock e descobrir outras sempre misturando estilos e gerações, trazer o Arnaldo Baptista uma pessoa que dispensa apresentações, um eterno Mutante (já ouvi dizer que se fosse pra ter 4 Beatles no Brasil, Arnaldo certamente seria um deles) vem sendo um desafio para o festival e uma aprendizado, o convite foi feito e aceito, com isso decidimos dar esse salto um pouco maior, o único porém que eu colocaria neste show é que está sendo uma pena que ele não vai ser lá na Picada Verão junto com as outras bandas e sim no Centro Cultural Lúcio Fleck no centro de Sapiranga. O show vai ser ele solo com piano e no fundo vão estar sendo projetadas suas obras de arte numa tela de cinema gigante, o show promete ser um dos mais emocionantes “ever”, chance única de ver essa lenda da música brasileira e mundial de pertinho no Morrostock.

TNB – O Festival acontece em um campping na zona rural da cidade de Sapiranga e traz o mote da questão ambiental e integração com a população rural do município. Qual a importância de mesclar o tema ambiental ao festival e qual a proposta do dialogo com a população Rural?

Paulo Zé – Sempre dialogamos com a área rural desde a primeira edição em 2007, só posteriormente fomos dialogar com a área urbana da cidade. Naturalmente nos aproximamos bastante dos produtores rurais, da agricultura familiar, da economia solidária, das bio construções e permacultura. Procuramos a cada ano desenvolver mais o projeto ambiental reduzindo o impacto ecológico na natureza e buscando informar o que viemos fazendo como alternativas a ser compartilhadas por fazendas e pequenas propriedades rurais das região, este ano vamos estar construindo em parceria com o Espaço Naturalmente dois banheiros secos Termofílicos e disponibilizando esta tecnologia para os agricultores locais, comparemos produtos direto dos produtores da região, proporcionando debates importantes em torno do tema. Composteiras estarão recebendo os resíduos orgânicos e catadores da Recicooper estarão no evento dando o destino adequado para os resíduos sólidos. Além desta pegada ambiental o Morrostock estará colocando em parceria com a empresa RAPIDANET uma internet com banda larga na área rural, cabe observar que lá não pega nem celular, pois bem, a RAPIDANET vai rebater o sinal para fornecer internet onde nenhuma outra operadora quer chegar e com grande qualidade, o sinal vai ficar aberto dias antes do festival e dias depois, esperamos que um dia tenhamos a sinal o ano inteiro por lá, assim tanto a produção do evento, quanto as familias de agricultores que trabalham ali poderiam estar usufruindo desta ferramenta que é fundamental nos dias de hoje, a Internet.

TNB – O Festival Morrostock é integrado a Rede Brasil de Festivais Independentes, qual a importância de fazer parte da Rede e como isso contribui na realização do Festival?

Paulo Zé – A Rede Brasil possibilita anualmente uma troca de tecnologias e aperfeiçoamento. Fazer parte desta rede coloca o festival, a cidade de Sapiranga e a região do Vale do Sinos, onde ele acontece, em um calendário nacional de festivais. Isso é bom para o turismo da cidade e região, gera uma divulgação e um reconhecimento nacional além de possibilitar intercâmbios entre agentes culturais. Outra coisa bacana da Rede Brasil são os projetos coletivos que possibilitam termos algumas equipes de coordenação em áreas específicas do festival e a transformação da área do festival em um campus temporário da Universidade das Culturas (UNICULT) onde a troca de saberes corre solta.

Confira também o vídeo convite de Arnaldo Baptista e Mustache e os Apaches para o Morrostock

Imagem de Amostra do You Tube

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