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Entrevista : Jair Naves

Conversamos com Jair Naves, que nos contou sobre como tem sido a parceria com Daniel Barosa, ( diretor  dos 3 vídeos clipes); De sua trajetória na música brasileira e de seu processo de composição. Jair Naves é um Compositor paulista,  já circulou nos principais festivais brasileiros desde 2004  e participa da construção da  “Nova Musica Brasileira”, foi integrante do Okoto e frontman do Ludovic. Hoje, Jair  toca sua carreira solo e  lançou recentemente seu primeiro disco cheio e segundo trabalho solo “ E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas” (2012), tendo figurado várias listas de melhores do ano de 2012. Lançou recentemente seu ultimo vídeo clipe , “No fim da ladeira, entre vielas tortuosas” assim como esse ultimo lançamento você pode conferir também em seu perfil os 3 ultimos videoclipes lançados e seus 2 ultimos discos.

Foto: Daryan

1) O recém-lançado “E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas” marca um momento na sua carreira e do projeto Jair Naves, que após um EP e dezenas de shows pelo Brasil iniciou uma bela trajetória. Como você enxerga esse momento agora com o disco?
Acredito que estamos vivendo o período de consolidação dessa nova fase, em que eu estou lançando minhas músicas sob meu próprio nome e tudo mais. O EP e o single já tinham conseguido fazer com que as pessoas entendessem a diferença entre o que eu faço agora e os meus projetos anteriores. Acho que esse disco veio pra solidificar tudo o que conquistamos desde que o EP foi lançado.
2) Inclusive, isso é uma característica da maneira como se trabalha a música atualmente: ao contrário de fazer um disco pra daí mostrar as músicas ao público, hoje é no show que as pessoas conhecem as músicas, que vão amadurecendo nesse contato até o ponto de chegar ao disco. Como esse processo influenciou no projeto?
Influenciou bastante. Antes de entrarmos em estúdio, fizemos dois ou três shows com base nas músicas que tínhamos em mente para o repertório desse disco. Foi quando pudemos notar quais funcionavam e quais ainda não estavam suficientemente amadurecidas. Certamente repetiremos esse processo para o nosso próximo álbum.

3) No seu site uma das definições que encontramos à respeito do trabalho é que “a vida nem sempre é a maravilha comumente cantada, mas é possível tirar beleza dessa situação”. Como funciona esse processo de extração do cotidiano para a composição?

É meio que uma válvula de escape. Minhas músicas acabam tendo esse caráter confessional, de falar sobre coisas do cotidiano, da rotina e tudo mais. Ou de usar pequenas histórias fictícias como metáforas para sentimentos que eu não consigo explicar direito. Acredito que isso faça com que outras pessoas acabem se enxergando nas coisas que eu canto.
4) O cenário musical tupiniquim que emergiu a partir da movimentação independente cada vez mais elimina divisões e se confunde com a gloriosa música brasileira reconhecida internacionalmente. Em sua trajetória constam importantes bandas que fazem parte dessa linha do tempo, como Okotô e Ludovic. Como é pra você se ver parte desse momento histórico tão importante?
A minha geração vivenciou muitas mudanças na forma como a música independente é registrada, divulgada e distribuída. Quando comecei a tocar em bandas, o único registro economicamente possível era em fita cassete, as chamadas “fitas demo”, que eram distribuídas apenas nos shows e por correio – assim como o intercâmbio com pessoas de outros estados. Com a popularização da internet e o avanço da tecnologia, as coisas tomaram um rumo completamente diferente de como era até o fim dos anos 90.
Além disso, a década passada ficou marcada por um processo de profissionalização do circuito de shows independentes. Ainda estamos no meio disso tudo, a situação ainda está bem longe do ideal, mas se compararmos com a situação que as bandas enfrentavam há dez ou quinze anos, os progressos são inegáveis.
5 ) Recentemente foi lançado o clipe “No Fim da Ladeira Entre Vielas Tortuosas”, a terceira parceria com o cineasta Daniel Barosa. Como tem sido a construção dessas narrativas audiovisuais a partir de suas composições na música?
Esse é o nosso primeiro clipe que não se resume à banda interpretando a música. Dessa vez a ideia foi fazer uma espécie de “road movie”, registrar a noite de músicos tocando em diferentes lugares. Tivemos a importantíssima ajuda dos nossos parceiros da Travolta Discos e do João, do Test, que cedeu a kombi para as filmagens – além do sempre brilhante trabalho do Daniel Barosa e sua equipe de produção.

6)  A característica do projeto sendo Jair Naves e não o nome de uma banda te permite uma rotatividade de músicos sem “mudar a formação” do projeto. Nesse disco é notável a presença de Babalu, Molinari e o Renato Ribeiro, além de uma guitarra a mais tocada por você, em substituição ao violão. Como tem sido essa nova experiência na parte instrumental do projeto?
Tem sido ótima! Tocar com esses músicos tão talentosos tem me feito evoluir consideravelmente não só como instrumentista, mas também como compositor e intérprete. Embora seja um projeto solo, funcionamos como uma banda. É um dos grupos mais colaborativos de que eu já fiz parte. Tenho muito orgulho de ter essas pessoas ao meu lado, espero que a gente possa continuar junto por muito tempo.

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