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Aventuras, diários de bordo e muito rock

Pois é meus queridos amigos. A tour nordeste da Baztian chegou ao fim. Foram sete shows maravilhosos que vão ficar durante um bom tempo nos nossos coracões. Vocês podem conferir a primeira parte da tour aqui. Como ainda não terminamos nosso registro audiovisual dessa doidera que foi essa aventura pelo querido nordeste, permitam que eu disserte um pouco sobre os shows que rolaram em João Pessoa, Caicó, Santa Cruz e Natal. Vamo nessa?

João Pessoa:

Depois de 5 horinhas de viagem (Maceió – Jampa) chegamos no final da tarde na capital paraíbana e direto para o local do show, o já conhecido principalmente por mim e Caique, Espaco Mundo (Já haviamos tocado lá com outra banda e dentro do Coletivo Popfuzz temos uma ótima relacão com o Coletivo Mundo, inclusive já o visitando várias vezes). Ajudamos a montar o som e demos um pulo na Casa Mundo para um banho rápido e um xis bacon de 4 conto (precinho, hein?) em uma lanchonete vizinha.

Show:

Depois de uma breve passagem de som no palco mesanino do Mundo, já estavamos prontos pra descer o cacete e as frustracões com a música rock. O show foi bem legal, tocamos o repertório inteiro (eramos a unica atracão) com direito ao cover de Freak Scene do Dinosaur Jr. e um noise no final de I Might Fail Again (última música do show).

Descendo o mesanino podemos trocar idéia, beber e chapar com os queridos colegas de Jampa e o négocio foi bem bom (e doido). De volta para o descanso na Casa Mundo, o papo perdurou até de madrugada quando cansaco bateu forte.

Caicó:

Pôr do sol de deserto na estrada João Pessoa – Caicó. É sertão nordestino, meu amigo. Sensação térmica – fogo do inferno. Pequena parada em um posto de gasolina como sempre pra comprar uma deliciosa água e para sermos interceptados por um viajante solitário que vinha de Souza (PB) e que meio sem jeito nos perguntou: ’’Opa, esses homi num tem um papelzinho de enrolar fumo, não?’’ A cara não nega.’’É claro que sim, respondemos’’.

Caicó é uma cidade bem bonita, grande, com seus quase 65 mil habitantes. O lugar do show era uma belíssima praça, que ficava em meio a um rio em um complexo denominado Ilha de Santana. Parada gigante cheio de restaurantes, lanchonetes e bares. Avistamos o nosso amigo rei do rock potiguar, Anderson Foca, como de costume na companhia de um belo prato de comida. ’’Filé a parmegiana, doido? Que delicia’’. Trocamos idéia, encontramos todo o pessoal que ia seguir o resto da tour com a gente: The Sinks e Kung Fu Johnny.

Bucho cheio, é hora de montar tudo, porque aqui o show é do it yourself total. O som foi trazido na Ducato do The Sinks, a gente só invade o local e toca rock.

Show:

Gente, muita gente. Uma rápa de roqueiros prontos pra bater cabeça. A Baztian ficou com a missão de abrir o evento. Ok!

Primeira música do show foi Empire Records, a música mais rápida da banda e logo no começo o baixo do Alcyr parou de funcionar. Fizemos a música toda sem baixo. Mexe aqui, mexe ali, fonte queimada (ó que bosta). Consertado, volta o rock!

O show dali foi uma maravilha, galera super prestando atenção, roda de pogo, muitos gritos (nossos) e desespero. Saimos feliz demais dali.

Agora é hora de ficar no merchan e tomar umas inúmeras brejas. Acho que foi uma das gigs que mais vendemos CD. Várias pessoas vieram falar, falando que curtiram muito o show. Super gratificante. E lá no palco a The Sinks destruia tudo com seu Power pop punk a la Weezer e Everclear. Esses homi são muito bom!

A cerveja ia entrando, o merchania vendendo e agora o Kung Fu Johnny incendiava o palco. O show dos caras é um dos mais divertidos do nordeste atualmente. Química incrivel entre os caras.

Pra fechar a noite os horror punks do Sertão Sangrento de Caicó, causaram uma roda punk sem tamanho na Ilha de Santana. Gore Punk!

Evento encerrado, eu e Alcyr querendo descansar e Caique e Batalha (nosso fiel camera man e resolvedor de bronca) querendo aprontar. De qualquer jeito tinhamos que passar na casa que iriamos dormir, a casa do noise/crust/anti música mais louco de Caicó, Carlinido. Chegamos na casa e foi chegando as encomendas de cerveja, cachaça e … (hahaha).

Quatro da manhã, eu deito no chão, converso um pouco sobre filme de lobisomen com o vocal do Sertão Sangrento (Popeye) e durmo. Ainda posso ouvir o grindcore na sala e já são 8h da manhã. Acordo as 11h e ainda posso ouvir o grindcore na sala. Ó meu deus, crusts/noiseys/anti música de Caicó, esses homi são tudo doido!

Santa Cruz

A estrada Caicó – Santa Cruz, talvez seja o caminho mais bonito que fizemos na tour. É sertão rochoso, parece o velho oeste de filmes de cowboy. Muito bom. A viagem é curta, após uma parada pra almoçar e não morrer de ressaca, retomamos o caminho e logo chegamos na cidade de Santa Cruz.

A primeira coisa que você vê ao chegar na cidade é uma estatua gigante de Santa Rita de Cássia. Sério, essa parada é muito grande! Saca aí.. Ouvi dizer que é maior que o Cristo Redentor e a maior estatua da América Latina. Gelou?

Enfim, chegamos e fomos escoltados diretamente para o local do show pelo articulador e roqueiro Paulo Ricardo.

O bar onde íamos tocar ficava próximo a um rio e um vale, bem doido. O bar era true demais,  tinha uma bela sinuca e cerveja litrão. Hora de montar o som e a Baztian abrir a gig.

tour NE Baztian

Turnê Nordeste Baztian

Show:

Esse foi considerado o show mais cansativo da tour, cansativo no sentido de estado fisico mesmo (hahaha). Tava todo mundo mal, mas o show foi uma beleza, afinal o rock é maior que qualquer mal estar ocasionado por alguns excessos.

Show alto, roqueiro e com dois covers (Dinosaur Jr. e Nirvana). Caíque não gostou disso (tadinho). Belezinha.

A melhor coisa de todo esse show foi conhecer a banda de Santa Cruz, Rollercoaster. Demais! Ótimas guitarras, belos riffs, um baterista com uma pegada incrivel. Pô, curtimos muito a banda.

Logo depois, The Sinks, fazendo outro show em escala altíssima de rock de roqueiro. Já me encontro decorando algumas músicas. E por último, Kung Fu Johnny com toda sensualidade de seu baterista Yan (gato) e os rockstars Cesár e Fausto. Show pra ninguém botar defeito.

Natal:

Depois de uma viagem noturna muito louca Santa Cruz – Natal, um Domingão de sol, clima agradavel de lar na casa dos amigos Foca e Ana. Bate papo, uma deliciosa maminha e é hora de se dirigir ao gigante Circuito Cultural Ribeira, projeto que reune vários bares, teatros, casas de show, cafés etc. que funcionam no bairro para uma vez por mês abrirem suas portas de graça para todo o povo de Natal curtir (sensacional).

Depois de uma bela tour pelo circuito onde conhecemos companhia de dança, teatro, bares, bazares, cafés e até um show que acontece em uma jangada no pôr do sol estavamos preparados e renovados para fazer um show.

O Centro Cultural Dosol começava a encher e a primeira banda da noite, Cool de Elefante já se encontrava no palco. Conforme o som ia rolando a casa ia enchendo, era melhor ir pro camarim para se preparar para o rock.

Encerrado a primeira banda, subimos no palco nervosos mas confiantes. Tudo errado na bateria, esqueci várias coisas, monta, desmonta e um nervoso da porra! Ah, enfim, tudo certo já passava da hora de tocar. O show começou com Ghost + Flowers e do nada uma roda se formou. Mais algumas músicas não tão moshs e a roda continuava. O ápice chegou em ‘’Bright Nights’’, música quebrada e indigna de um pogo mas a galera de Natal não liga pra isso. Um dos momentos mais legais da tour. Que show foda! Os roqueiros potiguares representam demais.

Fim de show, hora de curtir as outras bandas e se divertir, mas quem é que consegue andar? O Dosol e todo o Circuito Ribeira parece um carnaval de rua. Gente que não acaba mais. Sofremos para achar um local para respirar que não fosse o camarim. Incrivel!

Ainda chegamos a tempo do show do The Sinks que foi absurdo e teve direito a duas baterias no palco!

Logo em seguida o Kung Fu Johnny botou a casa abaixo, loucura total. Na palatéia reencontrando amigos: Renan (ex-Monster Coyote a.k.a ursinho Popfuzz), Lauro (Far From Alaska), Amilton (Monster Coyote), Calango (Calistoga). Coisa linda, Natal! Tantas emoções.

A segunda-feira foi dedicada ainda ao rock, gravamos uma música no Estúdio Dosol e o genial DosolTV Sessions com duas músicas e uma entrevista que você pode conferir abaixo:

Imagem de Amostra do You Tube

No final das contas, não sei mais o que dizer sobre essa tour nordeste e todos esses dias que passamos na estrada. Obrigado todo mundo que participou e nos ajudou nesse rolê. Se um dia a vida se tornar insuportável e eu duvidar do que fiz da vida, lembrarei que fiz pelo rock e ele vai me salvar mais uma vez, como já fez várias vezes.

I`m a lost soul i shoot myself with rock n roll.

Texto por Rodolfo Lima


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